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Theodor W. Adorno

"Só há uma expressão para a verdade: o pensamento que nega a injustiça" - essa frase da DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO (Rio de Janeiro: Jorge Zahar, p. 204) justifica por si só a criação de um grupo para o estudo aprofundado da obra de Adorno no ICA.

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Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 29 novembro 2009 às 23:20
"Apenas a infração à ortodoxia do pensamento torna visível, na coisa, aquilo que a finalidade objetiva da ortodoxia procurava, secretamente, manter invisível".
T. ADORNO, "Ensaio como Forma
Alexandre Costi Pandolfo Comentário de Alexandre Costi Pandolfo em 26 novembro 2009 às 1:04
"O arquiteto introvertido do pensamento mora por detrás da lua confiscada pelos técnicos extrovertidos".
Theodor Adorno, Dialética negativa.
Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 6 novembro 2009 às 18:23
"Aos tolos, eu prefiro os loucos" (Adorno).
Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 30 outubro 2009 às 22:47
"Perceber a vida enquanto danificada, expor seus prejuízos, é um exercício de lamento. Contudo, o esforço conceitual de Theodor Adorno irá gravar na esteira do pensamento contemporâneo justamente esse lamento como motivação para o filosofar. Seu argumento é tão forte que todo movimento na direção de derrubá-lo acaba apenas expondo seu comprometimento com uma tradição que permitiu a apoteose da destruição impressa e expressa em sua referência maior, que é Auschwitz. Assim se justifica o novo imperativo categórico cunhado por Adorno, que é o de não permitir que Auschwitz se repita. Uma expressão da filosofia que se condenou com a inscrição do terror no pensamento foi a tentativa de constituição de sistema. A dificuldade de perceber o ser humano se realizando dentro do sistema já havia sido percebida por Kierkegaard, ainda no século XIX, um século que guardava uma expectativa muito grande em relação à produção humana. Se o fato de o homem ter promovido sua própria destruição e continuar a ensaiá-la em seus gestos mais banais do cotidiano não for um problema a ser pensado, então, decerto, é porque o pensamento chegou ao auge de seu poder de abstração, sendo capaz de tornar contingente a própria presença do ser humano em seu movimento. Nesse caso, a filosofia é mero luxo. Mas, para Adorno, é justamente esse ponto em que a vida humana foi abandonada a um plano inferior na hierarquia da práxis do mundo, que o motiva à reflexão. Se o ser humano foi jogado à miséria de sua fragmentação, é justamente lançando o olhar para os fragmentos que se poderá, talvez, recuperá-lo. A vida danificada torna-se, assim, o único prisma a partir do qual ainda pode haver algum sentido no ato de filosofar."(SANTOS, Marcelo Leandro dos."A vida danificada como motivação filosófica em Theodor Adorno").
Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 30 outubro 2009 às 18:00
"O que pode a ética e o que pode a filosofia quando ela assume seu papel ético? O que é afinal a filosofia quando os acontecimentos terríveis da história humana, como violência e injustiças que danificam nossa experiência, vêm expressar o fracasso da razão sem a qual a filosofia cessa seus passos?Quando uma dialética negativa pode ser a transformação de nosso método em termos teóricos e práticos? A dialética negativa, como a define Adorno, é a dor elevada a conceito. A tarefa da filosofia está determinada pela capacidade de elaborar e modificar no futuro essa experiência. Precisamos perguntar hoje se o pensamento tem algo a dizer sobre o sofrimento vivido e como ele poderá contribuir para uma vida justa" (TIBURI, Marcia. Metamorfoses do conceito - Ética e dialética negativa em Theodor Adorno, Porto Alegre: Edit. da UFRGS, 2005).
Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 28 outubro 2009 às 17:40
Uma dos grandes paradoxos adornianos é que este simultaneamente se debate em meio a uma Totalidade faticamente em ruínas - mesmo que ruínas evanescentes como a fumaça que sai das chaminés de Auschwitz ou da Hiroshima destruída - e por entre as conseqüências históricas e psíquicas dessa ruína; e que tenha, ao mesmo tempo, de combater a fênix totalitária que pretende a reconciliação do ocidente com seus impulsos beligerantes mais primigênios apesar do passado, através de seu processo traduzido em hegemonia instrumentalizada ideologicamente na pretensão de suavidade de promessas de um otimismo condescendente. A percepção desta missão combativa da racionalidade não-totalitária, o embate com a tradição apesar da tradição, a cata à verdade que não é o todo, configuram o característico mosaicismo filosófico adorniano, sua micrologia. A inversão da ordem do pensamento, no melhor estilo bergsoniano – e apesar do embate de idéias do pensador frankfurtiano com Bergson! -, faz-se aqui necessário como nunca - mesmo que esta inversão conduza à desordem do(da) nascente. A obra de arte, na qual a verdade se refugia, é uma materialização privilegiada desta tarefa inglória, que tantas incompreensões acabou ocasionando, e isso por uma razão muito simples, nas palavras do próprio Adorno: porque “a função da arte, hoje, é introduzir o caos na ordem”.
José André da Costa Comentário de José André da Costa em 28 outubro 2009 às 15:32
O que propõe Adorno com sua teoria crítica? Uma educação da sensibilidade. Uma educação para a “consciência crítica”. Uma formação pedagógica que possibilite a ousadia dos sujeitos para encarar de frente seus fantasmas, apreciar criticamente as diferentes dimensões de sua realidade. Além das preocupações em torno da instrumentalidade da linguagem e da razão, o universo temático adorniano é permeado por investigações acerca da alienação, da razão técnico-científica e do esclarecimento. Todos estes elementos têm como fonte a problemática do conceito, nos diversos sentidos da palavra. Nesta movimentação argumentativa , o foco privilegiado da atenção adorniana é formular uma teoria crítica sem cair no império do conceito estabelecido na epistemologia da modernidade, que é a descaracterização da cultura no “mundo administrado”. “É barbárie escrever um poema depois de Auschwitz, e isso também corrói o conhecimento que afirma por que hoje se tornou impossível escrever poemas ”.
Ricardo Timm de Souza Comentário de Ricardo Timm de Souza em 28 outubro 2009 às 1:35
“A atualidade do ensaio é a do anacrônico. A hora lhe é mais desfavorável do que nunca. Ele se vê esmagado entre uma ciência organizada, na qual todos se arrogam o direito de controlar a tudo e a todos, e onde o que não é talhado segundo o padrão do consenso é excluído ao ser elogiado hipocritamente como “intuitivo” ou “estimulante”; e, por outro lado, uma filosofia que se acomoda ao resto vazio e abstrato, ainda não completamente tomado pelo empreendimento científico, e que justamente por isso é visto pela ciência como objeto de uma ocupação de segunda ordem. O ensaio tem a ver, todavia, com os pontos cegos de seus objetos. Ele quer desencavar, com os conceitos, aquilo que não cabe em conceitos, ou aquilo que, através das contradições em que os conceitos se enredam, acaba revelando que a rede de objetividade desses conceitos é meramente um arranjo subjetivo. Ele quer polarizar o opaco, liberar as forças aí latentes. Ele se esforça em chegar à concreção do teor determinado no espaço e no tempo; quer construir uma conjunção de conceitos análoga ao modo como estes se acham conjugados no próprio objeto. Ele escapa à ditadura dos atributos que, desde a definição do Banquete de Platão, foram prescritos às idéias como “existindo eternamente, não se modificando ou desaparecendo, nem se alterando ou restringido”; “um ser por si e para si mesmo eternamente uniforme”; e entretanto o ensaio permanece sendo “idéia”, na medida em que não capitula diante do peso do existente, nem se curva diante do que apenas é. Ele não mede esse peso, porém, segundo o parâmetro de algo eterno, e sim por um entusiástico fragmento tardio de Nietzsche: “Supondo que digamos sim a um único instante, com isso estamos dizendo sim não só a nós mesmos, mas a toda existência. Pois não há nada apenas para si, nem em nós e nem nas coisas: e se apenas por uma única vez nossa alma tiver vibrado e ressoado de felicidade, como uma corda, então todas as eternidades foram necessárias para suscitar esse evento – e nesse único instante do nosso ‘sim’ toda eternidade terá sido aprovado, redimida, justificada e afirmada”. Só que o ensaio ainda desconfia dessa justificação e afirmação. Para essa felicidade, sagrada para Nietzsche, o ensaio não conhece nenhum outro nome senão o negativo. Mesmo as mais altas manifestações do espírito, que expressam essa felicidade, também são culpadas de impor obstáculos a ela, na medida em que continuam sendo apenas espírito. É por isso que a lei formal mais profunda do ensaio é a heresia. Apenas a infração à ortodoxia do pensamento torna visível, na coisa, aquilo que a finalidade objetiva da ortodoxia procurava, secretamente, manter invisível.” (ADORNO, “Ensaio como forma”, in: ADORNO, T. W., Notas de Literatura I, São Paulo: Editora 34, p. 44-45).
José André da Costa Comentário de José André da Costa em 28 outubro 2009 às 0:08
Prof. Ricado!
Execelente sua iniciativa. Parabéns. Acho que Adorno é um pensador consequente porque conjuga criticamente o conhecimento e a vida.
Um abraço, ndré
Martin Eisermann M.A. Comentário de Martin Eisermann M.A. em 27 outubro 2009 às 21:54
ricardo, danke für die Umsetzung dieser herrlichen Idee, ich werde diese Site mit Vergnügen und Interesse verfolgen. Um grande abraco da catinga e do sertao da resaca... SIM!
 

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